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Ignorância e horror

19.10.14
Onde existem tantas vozes, quantas incertezas, ou certezas. Confusões, males, súbitos. Não se sabe mais o que fazer, só há desordem, só há confusão.
Só se propaga a mentira, só se age impulsionado ou pelo medo ou pelo interesse. Uma baderna onde ninguém sabe nada, e quem sabe preferiria não saber.
Qual caminho tomar? Qual vereda seguir? Quando ninguém mais sabe ler os mapas, não saberá também indicar o caminho. E nesta confusão que se tornou sistema, meio de vida, você vai submergindo, atônito, pois percebe que é mais ignorado conforme mais altos, mais insistentes tornam-se teus gritos.
É o horror, o horror normalizado, o horror e a barbárie que passam a ser considerados a vida normal, o que está aí mesmo, algo que ninguém pode mudar. Pois para se mudar são tamanhas as exigências, que o esforço em apenas pensar neste sentido já causa desânimo.
Olha-se para os lados, olha-se para todos os lados, e só se enxerga a confusão. Não se tem um mísero vislumbre de uma luz, pequena que seja, lá no fim do túnel. Somente trevas, densas trevas. Horror.
Se a ignorância é uma benção, então todos têm sido abençoados. Se o conhecimento traz a responsabilidade, talvez ninguém, ao final, assuma a sua parcela de culpa.

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