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Sobre a meditação

2.8.14
O estilo de vida corrido, agitado, quase "imparável" em que estamos inseridos tem nos feito muito mal. E não digo isto com relação a males físicos que possamos sofrer por conta da falta de tempo, relacionada à falta de cuidados com o corpo, estresse, ritmo de vida agitado. Digo isto em relação à falta de tempo, e não apenas isto, mas ao desperdício do mesmo também, e estas coisas relacionadas com a nossa saúde mental e espiritual.
É visível a avidez das pessoas por preencherem seu parco tempo vago com atividades excessivamente banais. Atualmente, ninguém mais se importa em parar, sentar-se um pouco, respirar e pensar. Pensar na vida, no mundo à sua volta, desconectando-se do resto, mas não para ficar conectado na "grande rede"...
O esquecimento, o abandono da prática da meditação por parte do cristão é um problema sério. O cristão que abandona a prática não dá tempo para que a palavra de Deus penetre em sua mente e coração, mantendo uma postura de superficialidade diante do que o Senhor quer lhe ensinar.
A possibilidade de entretenimento contínuo, portátil, constante, em qualquer hora e lugar, tem feito muitos cristãos desprezarem e desperdiçarem momentos que poderiam ser de profundo aprendizado das coisas de Cristo, "em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e ciência".
Preferimos "matar" o tempo passando pela "timeline" de alguma rede social, ou então com conversas vãs, "zapzapeando" futilidades, assistindo a programas que abusam da passividade da nossa mente, recorrendo às distrações mentais; enfim, esquecendo-nos completamente de aproveitar cada oportunidade, de que os dias são maus, e que deveríamos investir e perseverar nas disciplinas da mente, mormente oração e meditação, para que possamos ouvir a voz do Pai, aquilo que Ele quer transmitir a nós, nos levar a entender, para que sejamos frutíferos em nossa caminhada rumo à Terra Prometida.
Nossas cabeças estão lotadas de distrações, tornando quase impossível o pensamento centrado em Deus. Não procuramos desenvolver o "sentido de presença de Deus"[1]. Apenas vamos deixando as coisas passarem pela nossa mente, como se esta fosse um saco furado, uma peneira sem rede. Nada fica, nada para. Não nos dispomos à disciplina da meditação. Não entendemos bem que é necessário tempo e silêncio (exterior e interior) para uma meditação mais profunda, um contato mais íntimo com a pessoa do Santo Espírito.
Estas coisas, tempo e silêncio, têm se tornado cada vez mais escassas. Vivemos numa sociedade barulhenta e apressada, inimiga do pensar, do meditar, inimiga do aprofundamento em Deus, prática que tão cara deveria ser a nós, cristãos.

[1] - Irmão Lourenço - A prática da presença de Deus

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