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Opiniões

16.8.14
Eu acredito já ter escrito a respeito do mesmo tema no antigo blog, mas insisto, pois isso é uma coisa que me preocupa, e um erro que todos nós sempre cometemos.
Dias atrás, enviei uma pedido para alguns amigos, para que assinassem uma petição favorável à regulamentação da educação domiciliar (homeschooling) no Brasil. Um de meus amigos (que provavelmente lerá esta postagem) disse-me que assinaria somente após se informar mais acerca do assunto. Ou seja, fez o correto. Foi procurar saber primeiro de que se tratava para, depois, poder opinar sobre.
O nosso grande problema, algo que tem piorado com os tempos, é que pensamos poder opinar sobre quase tudo. E colocamos nossas opiniões, na maior parte das vezes, não sobre fatos, não sobre uma base lógica, racional, não sobre o que é, mas insistimos em opinar segundo o que sentimos a respeito, ou pior, sobre o que alguém nos disse a respeito, às vezes, pessoas que nem conhecemos bem.
Meu amigo poderia muito bem ter assinado por pensar que eu estava dizendo algo de valioso. Para mim é. Para ele, pelo menos até aquele momento, não, ou por nunca ter pensado no assunto, ou por nem saber sobre aquela realidade, ou por não se importar mesmo.
Mas o fato de ele desejar primeiro buscar informações para depois opinar sobre aquele assunto, ainda que fosse uma mera petição feita num site, já demonstra que ele respeita o opinar corretamente. Não agiu simplesmente para agradar a um amigo. Buscou agir em conformidade com a realidade, com fatos. Não quis me agradar, mas sim verificar se o que eu estava lhe pedindo valeria a pena, se era uma luta digna de ser travada, no caso.
Quase todos os dias precisamos opinar sobre alguma coisa, e o grande problema é que grande (senão a maior) parte dos assuntos acerca dos quais precisamos ou desejamos opinar são coisas das quais não temos o menor conhecimento para fazê-lo.
Seria muito mais interessante, e uma bela demonstração de humildade, se procurássemos saber sobre aquilo de que estamos falando, sobre o que estamos opinando. Seria mesmo uma demonstração de interesse, de procurar aumentar nosso conhecimento, entendendo melhor assuntos dos quais não temos conhecimento necessário ou suficiente.
Abraçamos muitas ideias que não condizem em nada com as nossas, simplesmente porque assentimos com assuntos que são extremamente complexos, ou dos quais temos menos informações do que pensamos ter.
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Sobre a meditação

2.8.14
O estilo de vida corrido, agitado, quase "imparável" em que estamos inseridos tem nos feito muito mal. E não digo isto com relação a males físicos que possamos sofrer por conta da falta de tempo, relacionada à falta de cuidados com o corpo, estresse, ritmo de vida agitado. Digo isto em relação à falta de tempo, e não apenas isto, mas ao desperdício do mesmo também, e estas coisas relacionadas com a nossa saúde mental e espiritual.
É visível a avidez das pessoas por preencherem seu parco tempo vago com atividades excessivamente banais. Atualmente, ninguém mais se importa em parar, sentar-se um pouco, respirar e pensar. Pensar na vida, no mundo à sua volta, desconectando-se do resto, mas não para ficar conectado na "grande rede"...
O esquecimento, o abandono da prática da meditação por parte do cristão é um problema sério. O cristão que abandona a prática não dá tempo para que a palavra de Deus penetre em sua mente e coração, mantendo uma postura de superficialidade diante do que o Senhor quer lhe ensinar.
A possibilidade de entretenimento contínuo, portátil, constante, em qualquer hora e lugar, tem feito muitos cristãos desprezarem e desperdiçarem momentos que poderiam ser de profundo aprendizado das coisas de Cristo, "em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e ciência".
Preferimos "matar" o tempo passando pela "timeline" de alguma rede social, ou então com conversas vãs, "zapzapeando" futilidades, assistindo a programas que abusam da passividade da nossa mente, recorrendo às distrações mentais; enfim, esquecendo-nos completamente de aproveitar cada oportunidade, de que os dias são maus, e que deveríamos investir e perseverar nas disciplinas da mente, mormente oração e meditação, para que possamos ouvir a voz do Pai, aquilo que Ele quer transmitir a nós, nos levar a entender, para que sejamos frutíferos em nossa caminhada rumo à Terra Prometida.
Nossas cabeças estão lotadas de distrações, tornando quase impossível o pensamento centrado em Deus. Não procuramos desenvolver o "sentido de presença de Deus"[1]. Apenas vamos deixando as coisas passarem pela nossa mente, como se esta fosse um saco furado, uma peneira sem rede. Nada fica, nada para. Não nos dispomos à disciplina da meditação. Não entendemos bem que é necessário tempo e silêncio (exterior e interior) para uma meditação mais profunda, um contato mais íntimo com a pessoa do Santo Espírito.
Estas coisas, tempo e silêncio, têm se tornado cada vez mais escassas. Vivemos numa sociedade barulhenta e apressada, inimiga do pensar, do meditar, inimiga do aprofundamento em Deus, prática que tão cara deveria ser a nós, cristãos.

[1] - Irmão Lourenço - A prática da presença de Deus

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