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Fé e sentimentos

29.6.14
Paulo, no sétimo capítulo da carta aos Romanos, já demonstrava com toda clareza a severa luta do cristão contra o pecado; a dura rotina daquele que serva a Cristo, cuja continuidade só pode ser suportada graças a bendita ajuda do Santo Espírito. Luta esta que se avoluma conforme passam os anos.
O atual estágio de degradação moral ao qual chegou nossa sociedade só faz esta luta crescer. Nestes dias o pecado é lançado com todo o vigor na nossa face, sem que precisemos procurar por ele. A destruição da cultura cristã vai devolvendo a sociedade ao estágio do barbarismo. 
O cuidado que o cristão precisa tomar é justamente este: não deixar-se ser invadido por este "barbarismo". É a constante tentativa de emersão do velho homem, o homem bárbaro, o homem voltado para a natureza carnal, cuja satisfação em nossos dias vai sendo cada vez mais facilitada.
Este barbarismo intrínseco habita em cada um de nós, e em alguns seus impulsos se mostram mais fortes, mais incisivos que em outros. Não é algo que possa ser vencido por força humana, como já o disse, me referindo à capacitação para suprimi-lo por meio da graça do Espírito Santo. 
As inclinações da carne, passando pela sua concupiscência, chegando à mente inclinada para as suas [da carne] coisas, inimiga do Espírito, inimiga do bem humano, precisam ser levadas cativas, submetidas de modo absoluto à autoridade do único capaz de ordenar as coisas no ser humano: Deus.
A supressão da razão em detrimento dos sentimentos tem ajudado e muito a ampliar este estrago. E inevitavelmente esta mentalidade "emocionalista" adentra muitos corações que sentem ser cristãos, não por uma firme confiança baseada na pessoa divino-humana, Jesus Cristo, e nas promessas de Deus através de Sua palavra, mas pelo sentimento simples e único de pertencimento, de bem estar em algo que ainda não compreenderam bem. O grande perigo é a substituição da fé pela emoção.
O que se tem visto é a emoção pura no lugar da fé. O que se tem visto é a emoção não redimida pelo Filho, não disciplinada pelo Espírito, vindo à tona como substituta da fé. Crê-se por meio do sentir, e quando a emoção se esvai, consequentemente, também o faz o que se considerava ser a fé. Sobram sentimentos de frustração e medo, a falta de um norte fixo e imutável, cujo alcance não se dá por meio de sentimentos, mas por meio da fé mesma, a fé que é certeza, fundamento, como explícito no déimo primeiro capítulo de Hebreus.
A troca da fé embasada em fatos e promessas divinas pelo simples sentimento de crença tem trazido severos problemas à igreja. Nada mais é que uma espécie de barbarismo, o aflorar do sentimento decaído humano, que apesar de depravado ainda precisa e ainda sente a necessidade da busca de algo em que se fiar. Mas busca pelos caminhos errados, pois só pode alcançar o caminho correto através da graça concedida por Deus, através da pregação de Sua palavra e da ação do Seu Espírito.
Invertendo-se o papel da fé com o da emoção, sobram pessoas suscetíveis ao abandono rápido do que se acredita ser a fé, ou mesmo pessoas cuja crença e o fervor espiritual vai e vem, como ondas, de acordo com o estado de ânimo da mesma. O deixar-se levar pelo emocionalismo como se fosse fé é a vitória do lado emocional "bárbaro" do ser humano, pois o homem re-orientado pelo Espírito Divino terá suas emoções no lugar correto; desenvolvendo o fruto do Espírito que nele age será um homem equilibrado, temperante, em maior ou menor grau, mas que não será impelido para perto ou longe da fé por causa de simples emoções, as quais, redimidas, deveriam seguir e fortalecer a fé, como resultado das experiências vivídas na direção do Espírito, e não embasá-la.
Na luta diária do cristão, muitos têm errado e deixado a sua "fé" ser pautada pelas emoções, quando antes a ordem deveria ser a inversa. São fruto dos nossos tempos, onde a valorização do subjetivo, da experiência interior, do sentir, tem suprimido o papel da razão, do pensar. O controle do homem sobre si mesmo deve ser feito pela razão, claro, não se suprimindo os sentimentos numa frieza absoluta, mas sujeitando-os, fazendo-os obedecer ao que é correto, ao que é necessário sentir. A razão, por sua vez, precisa ser redimida e reorganizada por Cristo, para que possa ter a capacidade real de estar no controle, para que pense segundo a "mente de Cristo", e aplique os sentimentos àquilo que é correto, que é bom, justo, que agrada ao Pai.

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