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Medium - @lhdessart

29.11.14
Tenho me dedicado a escrever no Medium. Para quem ainda não conhece, o Medium é uma rede social para quem gosta de ler e/ou escrever. Se gostou da ideia, meu perfil é @lhdessart. Acompanhe-me lá também!

P.S.: Passarei a escrever somente naquela plataforma agora. É mais simples e está mais de acordo com o que quero fazer. Encerro meu blog, nesta plataforma, por aqui, e convido você a me acompanhar no Medium
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Ignorância e horror

19.10.14
Onde existem tantas vozes, quantas incertezas, ou certezas. Confusões, males, súbitos. Não se sabe mais o que fazer, só há desordem, só há confusão.
Só se propaga a mentira, só se age impulsionado ou pelo medo ou pelo interesse. Uma baderna onde ninguém sabe nada, e quem sabe preferiria não saber.
Qual caminho tomar? Qual vereda seguir? Quando ninguém mais sabe ler os mapas, não saberá também indicar o caminho. E nesta confusão que se tornou sistema, meio de vida, você vai submergindo, atônito, pois percebe que é mais ignorado conforme mais altos, mais insistentes tornam-se teus gritos.
É o horror, o horror normalizado, o horror e a barbárie que passam a ser considerados a vida normal, o que está aí mesmo, algo que ninguém pode mudar. Pois para se mudar são tamanhas as exigências, que o esforço em apenas pensar neste sentido já causa desânimo.
Olha-se para os lados, olha-se para todos os lados, e só se enxerga a confusão. Não se tem um mísero vislumbre de uma luz, pequena que seja, lá no fim do túnel. Somente trevas, densas trevas. Horror.
Se a ignorância é uma benção, então todos têm sido abençoados. Se o conhecimento traz a responsabilidade, talvez ninguém, ao final, assuma a sua parcela de culpa.
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A invasão; ou, como estão nossas "muralhas"?

8.10.14
Aos poucos, discretamente, quase que imperceptivelmente, a semente implantada dos princípios mundanos, pagãos, foi germinando. Já oferece frutos, em abundância. Paganismo generalizado, eis a era em que estamos entrando novamente. O coração do servo de Deus que não estiver preparado será contaminado.
O contato constante com esta mentalidade anti-cristã que diariamente vai proliferando pode comprometer a vida daquele que não estiver construindo corretamente as "muralhas" em seu coração, "muralhas" de fé e disciplina, constância e submissão a Deus.
"Como cidade derrubada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito", diz o provérbio de Salomão (25.28). Temos como cristãos a responsabilidade de rodearmos nosso ser com muros fortes, que só podem ser assim se forem construídos tendo por base os materiais a nós concedidos por Deus.
Deixando nosso eu exposto diante de uma sociedade extremamente corruptora, inevitavelmente pagaremos o preço e sofreremos a invasão, o saque, a pilhagem, quiçá mesmo a destruição, o incêndio. Seremos facilmente invadidos por toda espécie de inimigo de nossa alma. A cidade sem muros, o ser desarmado, um banquete farto aos saqueadores e aproveitadores.
Vejo que, ao mesmo tempo que tem parecido cada vez mais difícil fortalecermos, mesmo construírmos estes muros, nunca foi tão fácil sermos invadidos. Nós temos trazido os inimigos até os limites da nossa "cidade forte", que realmente não está tão forte assim, ainda que a nós não pareça. Estamos colocando inimigos terríveis diante dos nossos corações, das nossas mentes. Estamos aceitando a persuasão invasiva da maldade abundante que nos circunda, e temos feito pouco ou nenhum esforço para realmente combate-la. A sociedade pós-moderna tem, diariamente, um meio diferente de intimidação, de persuasão, de tentativa para nos levar a rejeitarmos, nem que seja um pouco só, a nossa fé cristã. São deleites e mais deleites, prazeres e mais prazeres, confortos. São dúvidas, incertezas, informações que nos tentam, que querem nos fazer desistir de crer naquilo que nos transformou, naquilo em que cremos pela fé.
O farto entretenimento, o conforto razoável de que dispomos, a falsa esperança científica, a aceitação tácita do poder estatal, a persuasão do sistema educacional (1), a abundante (cada vez mais) inclinação da mídia para a violência e para a sexualidade explícitas, invasivas, tudo isso e mais um pouco, nós mesmos as temos facilmente aceitado por vezes, sem nos indagarmos se estamos fortes o suficiente (a resposta sempre será não) para resistirmos a tudo isto, se o enfrentarmos de peito aberto.
Por outro lado, a cidade pode estar bem cercada, e as muralhas podem ser fortes e altas, mas ainda sim podemos ser vítimas do velho truque do cavalo troiano. Também de nada adiantará toda a construção bem feita de "muralhas" que protejam nosso eu, nossa "cidade", se abrirmos os portões e colocarmos para dentro coisas que parecem tão belas, presentes que, uma vez dentro de nós, só esperam o momento certo do sono, da distração, para o ataque, o ataque certeiro e derradeiro, a destruição da cidade desde dentro.
Nossa "cidade", nosso eu, deve estar bem construído, com bases e alicerces fundamentados na divina palavra. Nossas "muralhas" devem estar preparadas, resistentes, pois os ataques serão cada vez mais constantes e intensos. E nossos "guardas", nossos "vigias", devem estar em constante estado de atenção, para que não nos tornemos vítimas de incursões que, à primeira vista, nos pareçam coisas belas, coisas agradáveis, e depois acabem se tornando, em nós, verdadeiros "presentes de grego".
Este aliciamento secular tem nos tragado aos poucos. Precisamos mais do que nunca de uma mentalidade e uma fé voltadas para Cristo. A persuasão das ofertas mundanas tem sido cada vez maior, cada vez mais forte, e tem levado jovens e adultos a caminhos de frieza espiritual, indiferença, falta de temor, aceitação de um padrão de vida que pouco ou nada têm a ver com o que nos foi deixado por Cristo para que sigamos.


(1) - A respeito de como a educação, mormente direcionada pela ONU,  tem sido usada para subverter a mentalidade infanto-juvenil em nível mundial, leia o livro Maquiavel Pedagogo, de Pascal Bernardin.

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Beleza e feiúra

6.9.14
A fonte da verdadeira beleza foi abandonada. O criador do mundo, esquecido. O que tem nos restado, senão a feiúra?
A feiúra que nos rodeia tem criado muros. Muros altos.
Deixamos de ver o que há de belo no mundo, não mais temos conseguido enxergar.
Pequenas coisas belas tornaram-se majestosas, e muito do que nos rodeia tem sido negligenciado.
Não mais conseguimos prestar atenção sequer a uma bela formação de nuvens no céu. O canto dos pássaros já se tornou algo comum, sem que nele consigamos ver algo de apreciável.
O mundo tem desejado a feiúra, o grotesco, o vil. Não mais se preza por aquilo que vale a pena, por aquilo que encanta. O que temos hoje é o culto ao feio, ao mau gosto, às coisas desprezíveis.
O homem tem sido sistematicamente ensinado a gostar e valorizar aquilo que não tem o mínimo valor estético. Inundou-se o mundo com coisas horrivelmente feias.
O que se produz hoje como arte é simplesmente, em muitos casos, do pior gosto possível.
Mas minha intenção não é falar sobre arte moderna. Esta tem sido apenas uma demonstração de como o homem tem valorizado aquilo que não tem valor, que é feio, que é banal. O que percebo é que nós temos desprezado as demonstrações do que há de belo em nosso cotidiano. Cercados pela feiúra, vamos abandonando o costume de sequer observar as pequenas demonstrações de beleza que nos cercam, seja por meio daquilo que a natureza nos apresenta, seja por meio de demonstrações de amor e afeto, seja por meio da observação da realização da obra Divina, seja por meio do simples arranjo bem feito de uma música, de uma obra que, mesmo sendo simples, é bela em sua simplicidade.
Sim, vou me perdendo em palavras aqui. Mas é que há tanto a ser observado, e tão pouco nos damos a isto, que por vezes deixamos de observar algo que poderia nos enriquecer, nos dar verdadeiro prazer como homens.
O belo tem sido substituído pelo feio, pelo grotesco, por vezes. O que só demonstra a que estado de depravação temos chegado como homens.
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Algumas palavras sobre as eleições

2.9.14
O bom observador percebe, e estas eleições têm deixado muito evidente, o fato de que o brasileiro não vota com a razão, mas com a emoção. O despontar súbito de uma candidata que, em poucos dias, assume a primeira posição nas pesquisas, sendo colocada como uma "terceira via" dentro da disputa à presidência, praticante de uma suposta "nova política" é uma boa demonstração disto. 
Infelizmente, o que o brasileiro deseja não é somente um presidente, mas sim um "messias". Um ex-presidente (vários, na verdade) carregou consigo (e, para muitos, ainda carrega) uma imagem parecida com a de um "grande líder", uma espécie de messianismo, e conquistou muitos corações, por duas vezes, na última década.
Falta-nos o desejo de aprender. E como, desde cedo, o cidadão brasileiro aprende passivamente que, acima de um pai ou uma mãe, ele deve ter um estado que lhe dê sustento e apoio em tudo, ou quase tudo, não é para menos que este mesmo cidadão dirija-se sempre às urnas encantado pelo discurso que, teoricamente, mais lhe promete, mais demonstre que o estado o servirá, e que ele não precisará fazer muita coisa, apenas se deixar ser sustentado por este grande e bondoso pai, na pessoa de seu "grande líder", de seu "messias da última hora".
É triste ver que muitos, senão a maior parte da população, acredita que somente mudando-se as peças do jogo político, as coisas andarão, o país subitamente mudará da água para o vinho, e todos viveremos "novos dias", ou de repente "um sonho", ou qualquer outra espécie de chavão eleitoral.
A mudança, o brasileiro sempre a espera, e sempre a deseja, mas não de si mesmo. Não desejamos mudar a nós mesmos, mas sim que o outro, este famigerado outro, mude. Que o outro deixe de ser corrupto, ladrão, mesquinho, etc. Não sabemos, não conseguimos enxergar a nossa corrupção diária, nossos deslizes já costumeiros, não desejamos corrigir nosso "jeitinho brasileiro", pelo contrário, nos orgulhamos dele, dando-lhe status de patrimônio cultural.
Para não mudar a si próprio, o brasileiro continua acreditando poder mudar toda a situação de pobreza, seja a monetária, seja a moral, ou a intelectual, apenas por meio do voto. O cidadão destas terras ainda crê, e vejo que assim será por muito tempo, que as coisas mais elementares da vida comum podem ser mudadas da noite para o dia por meio das "canetadas" daqueles que exercem o poder (e muitas tentativas neste sentido têm sido feitas por nossos governantes...)
Eis a verdadeira pobreza. Um povo que até quando se une para protestar contra "tudo o que está aí", exige que as mudanças seja feitas começando-se de cima. Nenhuma casa é construída de cima para baixo; não dá pra se colocar o telhado numa casa que não possua paredes e alicerce. Protestar contra "tudo o que está aí" é a demonstração clara de que o povo não sabe definir contra o que protesta, contra o que está lutando, ou a favor de quê. Ergue seus cartazes, e simplesmente joga pra fora sua insatisfação, acusando a tudo e a todos (quando não quebrando...), sem pensar em protestar contra si próprio. 
Desembocando nas eleições, o protesto tornou-se o voto contrário ao governo atual (que também se diz "messiânico", ou pior, "criador de um novo país"), e o brilho de esperança nos olhos de qualquer candidato cujo discurso apresente como que sonhos e visões de um futuro melhor, vislumbres de algo novo, mas que em nada difere do velho, do atual, arrebata as multidões ávidas pelas mudanças, mas que são incapazes de mudar a si próprias, que na verdade sequer desejam isto.
"Messias" há muitos, e eles reaparecem, em maior ou menor grau, em todo período eleitoral. E o cidadão brasileiro sempre adora ser levado de arrasto pelos inflamados discursos, pelas belas palavras desprovidas de sentido, camuflagens da realidade. Mas o messianismo começa a terminar justamente quando vira o calendário, quando a faixa presidencial é passada, quando o "messias" assume o posto presidencial. Aí começará, quase que instantaneamente, a busca por um "novo messias". Aí começará, ou melhor, continuará a dura realidade de um povo que prefere viver dias de sonhos e visões a uma vida de trabalho, conscientização e entendimento e, acima de tudo, reeducação.
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Opiniões

16.8.14
Eu acredito já ter escrito a respeito do mesmo tema no antigo blog, mas insisto, pois isso é uma coisa que me preocupa, e um erro que todos nós sempre cometemos.
Dias atrás, enviei uma pedido para alguns amigos, para que assinassem uma petição favorável à regulamentação da educação domiciliar (homeschooling) no Brasil. Um de meus amigos (que provavelmente lerá esta postagem) disse-me que assinaria somente após se informar mais acerca do assunto. Ou seja, fez o correto. Foi procurar saber primeiro de que se tratava para, depois, poder opinar sobre.
O nosso grande problema, algo que tem piorado com os tempos, é que pensamos poder opinar sobre quase tudo. E colocamos nossas opiniões, na maior parte das vezes, não sobre fatos, não sobre uma base lógica, racional, não sobre o que é, mas insistimos em opinar segundo o que sentimos a respeito, ou pior, sobre o que alguém nos disse a respeito, às vezes, pessoas que nem conhecemos bem.
Meu amigo poderia muito bem ter assinado por pensar que eu estava dizendo algo de valioso. Para mim é. Para ele, pelo menos até aquele momento, não, ou por nunca ter pensado no assunto, ou por nem saber sobre aquela realidade, ou por não se importar mesmo.
Mas o fato de ele desejar primeiro buscar informações para depois opinar sobre aquele assunto, ainda que fosse uma mera petição feita num site, já demonstra que ele respeita o opinar corretamente. Não agiu simplesmente para agradar a um amigo. Buscou agir em conformidade com a realidade, com fatos. Não quis me agradar, mas sim verificar se o que eu estava lhe pedindo valeria a pena, se era uma luta digna de ser travada, no caso.
Quase todos os dias precisamos opinar sobre alguma coisa, e o grande problema é que grande (senão a maior) parte dos assuntos acerca dos quais precisamos ou desejamos opinar são coisas das quais não temos o menor conhecimento para fazê-lo.
Seria muito mais interessante, e uma bela demonstração de humildade, se procurássemos saber sobre aquilo de que estamos falando, sobre o que estamos opinando. Seria mesmo uma demonstração de interesse, de procurar aumentar nosso conhecimento, entendendo melhor assuntos dos quais não temos conhecimento necessário ou suficiente.
Abraçamos muitas ideias que não condizem em nada com as nossas, simplesmente porque assentimos com assuntos que são extremamente complexos, ou dos quais temos menos informações do que pensamos ter.
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Sobre a meditação

2.8.14
O estilo de vida corrido, agitado, quase "imparável" em que estamos inseridos tem nos feito muito mal. E não digo isto com relação a males físicos que possamos sofrer por conta da falta de tempo, relacionada à falta de cuidados com o corpo, estresse, ritmo de vida agitado. Digo isto em relação à falta de tempo, e não apenas isto, mas ao desperdício do mesmo também, e estas coisas relacionadas com a nossa saúde mental e espiritual.
É visível a avidez das pessoas por preencherem seu parco tempo vago com atividades excessivamente banais. Atualmente, ninguém mais se importa em parar, sentar-se um pouco, respirar e pensar. Pensar na vida, no mundo à sua volta, desconectando-se do resto, mas não para ficar conectado na "grande rede"...
O esquecimento, o abandono da prática da meditação por parte do cristão é um problema sério. O cristão que abandona a prática não dá tempo para que a palavra de Deus penetre em sua mente e coração, mantendo uma postura de superficialidade diante do que o Senhor quer lhe ensinar.
A possibilidade de entretenimento contínuo, portátil, constante, em qualquer hora e lugar, tem feito muitos cristãos desprezarem e desperdiçarem momentos que poderiam ser de profundo aprendizado das coisas de Cristo, "em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e ciência".
Preferimos "matar" o tempo passando pela "timeline" de alguma rede social, ou então com conversas vãs, "zapzapeando" futilidades, assistindo a programas que abusam da passividade da nossa mente, recorrendo às distrações mentais; enfim, esquecendo-nos completamente de aproveitar cada oportunidade, de que os dias são maus, e que deveríamos investir e perseverar nas disciplinas da mente, mormente oração e meditação, para que possamos ouvir a voz do Pai, aquilo que Ele quer transmitir a nós, nos levar a entender, para que sejamos frutíferos em nossa caminhada rumo à Terra Prometida.
Nossas cabeças estão lotadas de distrações, tornando quase impossível o pensamento centrado em Deus. Não procuramos desenvolver o "sentido de presença de Deus"[1]. Apenas vamos deixando as coisas passarem pela nossa mente, como se esta fosse um saco furado, uma peneira sem rede. Nada fica, nada para. Não nos dispomos à disciplina da meditação. Não entendemos bem que é necessário tempo e silêncio (exterior e interior) para uma meditação mais profunda, um contato mais íntimo com a pessoa do Santo Espírito.
Estas coisas, tempo e silêncio, têm se tornado cada vez mais escassas. Vivemos numa sociedade barulhenta e apressada, inimiga do pensar, do meditar, inimiga do aprofundamento em Deus, prática que tão cara deveria ser a nós, cristãos.

[1] - Irmão Lourenço - A prática da presença de Deus

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Defeitos, os meus

29.7.14
Sim, para nós é terrível ter de suportar os outros. Pessoas arrogantes, fúteis, tolas, chatas, imorais, interesseiras, bobas, seja lá mais qual defeito possam apresentar. Sim, muitos de nós consideramos insuportáveis pessoas que possuem estas e outras características.
Porém, o que pode ser mais insuportável do que aguentar pessoas assim todos os dias, todos os momentos?
Ser uma delas. Ou mesmo carregar várias delas em nós.
E se você é um ser humano, você sabe muito bem que possui inúmeros defeitos, os quais você terá de suportar, lutar contra. Carregamos defeitos semelhantes, e digo mais, terrivelmente piores. E por absoluta necessidade acabamos aceitando e nos acostumando com muitos deles, pois como somos nós os seus portadores, fica mais fácil conviver com eles, "aceitá-los". O problema, como sempre, são os outros. Os outros e os seus defeitos, muitos destes presentes também em nós, talvez mesmo de maneira mais intensa, mais aguda.
Talvez, sejamos mais chatos do que aqueles a quem reputamos chatos; ou mais imorais, ou mais hipócritas, ou mais tolos, etc. Sejam lá quais forem nossos defeitos, eles sempre podem, e muitas vezes são, piores que os dos nossos vizinhos. E o fato de os conhecermos, sabermos que eles estão em nosso íntimo, que mesmo que ninguém perceba nossos defeitos, eles estão lá e convivemos com eles inevitavelmente, deveria nos constranger a uma maior tolerância com os "insuportáveis" ao nosso lado.
O cisco do olho do vizinho sempre é mais aparente para quem não tem olhos prontos para ver a trave que está no seu.
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Pensamentos sobre a graça

23.7.14
Nunca vou compreender o amor de Deus em sua totalidade. Ninguém vai. Só nos resta aceitá-lo, senti-lo, buscá-lo, ansiá-lo, e sempre peço a Ele que eu possa desejá-lo mais e mais e mais. Nunca será o bastante, nem que for por uma eternidade, o que ainda sentiremos e viveremos junto à Ele.
Como nós, humildes pedaços de barro, poderemos compreender esta misericórdia? Qual a dimensão da misericórdia de Deus? Uma misericórdia que restaura o ser humano, e todo o universo.
Ele derrama de Si mesmo sobre nós abundantemente, nos dando Seu Santo Espírito, habitando em nós. É mais que só salvação do pecado, é nova vida, é vida pura, da fonte, a única vida pura e verdadeira que podemos sentir.
Nunca vou compreender o amor de Deus em sua totalidade. Nem senti-lo, tamanha a complexidade e magnanimidade do Seu amor. Eu, no pó, no pecado, e Ele me amando e me resgatando, sem barreiras, sem imposições, apenas pelo amor, apenas para trazer de volta ao morto homem a vida de que ele tanto precisa, e não sabe.
O que eu poderia ter feito? Obras? Quais seriam maiores que uma criação toda, para que eu pudesse habilmente me justificar ante Deus? A mim, só resta a obediência. E como não obedecer alguém que tanto te ama, alguém que se sacrificou por você? Como não devolver um pouco da vida que Ele abundantemente nos devolveu? Como não fazê-lo?
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Fé e sentimentos

29.6.14
Paulo, no sétimo capítulo da carta aos Romanos, já demonstrava com toda clareza a severa luta do cristão contra o pecado; a dura rotina daquele que serva a Cristo, cuja continuidade só pode ser suportada graças a bendita ajuda do Santo Espírito. Luta esta que se avoluma conforme passam os anos.
O atual estágio de degradação moral ao qual chegou nossa sociedade só faz esta luta crescer. Nestes dias o pecado é lançado com todo o vigor na nossa face, sem que precisemos procurar por ele. A destruição da cultura cristã vai devolvendo a sociedade ao estágio do barbarismo. 
O cuidado que o cristão precisa tomar é justamente este: não deixar-se ser invadido por este "barbarismo". É a constante tentativa de emersão do velho homem, o homem bárbaro, o homem voltado para a natureza carnal, cuja satisfação em nossos dias vai sendo cada vez mais facilitada.
Este barbarismo intrínseco habita em cada um de nós, e em alguns seus impulsos se mostram mais fortes, mais incisivos que em outros. Não é algo que possa ser vencido por força humana, como já o disse, me referindo à capacitação para suprimi-lo por meio da graça do Espírito Santo. 
As inclinações da carne, passando pela sua concupiscência, chegando à mente inclinada para as suas [da carne] coisas, inimiga do Espírito, inimiga do bem humano, precisam ser levadas cativas, submetidas de modo absoluto à autoridade do único capaz de ordenar as coisas no ser humano: Deus.
A supressão da razão em detrimento dos sentimentos tem ajudado e muito a ampliar este estrago. E inevitavelmente esta mentalidade "emocionalista" adentra muitos corações que sentem ser cristãos, não por uma firme confiança baseada na pessoa divino-humana, Jesus Cristo, e nas promessas de Deus através de Sua palavra, mas pelo sentimento simples e único de pertencimento, de bem estar em algo que ainda não compreenderam bem. O grande perigo é a substituição da fé pela emoção.
O que se tem visto é a emoção pura no lugar da fé. O que se tem visto é a emoção não redimida pelo Filho, não disciplinada pelo Espírito, vindo à tona como substituta da fé. Crê-se por meio do sentir, e quando a emoção se esvai, consequentemente, também o faz o que se considerava ser a fé. Sobram sentimentos de frustração e medo, a falta de um norte fixo e imutável, cujo alcance não se dá por meio de sentimentos, mas por meio da fé mesma, a fé que é certeza, fundamento, como explícito no déimo primeiro capítulo de Hebreus.
A troca da fé embasada em fatos e promessas divinas pelo simples sentimento de crença tem trazido severos problemas à igreja. Nada mais é que uma espécie de barbarismo, o aflorar do sentimento decaído humano, que apesar de depravado ainda precisa e ainda sente a necessidade da busca de algo em que se fiar. Mas busca pelos caminhos errados, pois só pode alcançar o caminho correto através da graça concedida por Deus, através da pregação de Sua palavra e da ação do Seu Espírito.
Invertendo-se o papel da fé com o da emoção, sobram pessoas suscetíveis ao abandono rápido do que se acredita ser a fé, ou mesmo pessoas cuja crença e o fervor espiritual vai e vem, como ondas, de acordo com o estado de ânimo da mesma. O deixar-se levar pelo emocionalismo como se fosse fé é a vitória do lado emocional "bárbaro" do ser humano, pois o homem re-orientado pelo Espírito Divino terá suas emoções no lugar correto; desenvolvendo o fruto do Espírito que nele age será um homem equilibrado, temperante, em maior ou menor grau, mas que não será impelido para perto ou longe da fé por causa de simples emoções, as quais, redimidas, deveriam seguir e fortalecer a fé, como resultado das experiências vivídas na direção do Espírito, e não embasá-la.
Na luta diária do cristão, muitos têm errado e deixado a sua "fé" ser pautada pelas emoções, quando antes a ordem deveria ser a inversa. São fruto dos nossos tempos, onde a valorização do subjetivo, da experiência interior, do sentir, tem suprimido o papel da razão, do pensar. O controle do homem sobre si mesmo deve ser feito pela razão, claro, não se suprimindo os sentimentos numa frieza absoluta, mas sujeitando-os, fazendo-os obedecer ao que é correto, ao que é necessário sentir. A razão, por sua vez, precisa ser redimida e reorganizada por Cristo, para que possa ter a capacidade real de estar no controle, para que pense segundo a "mente de Cristo", e aplique os sentimentos àquilo que é correto, que é bom, justo, que agrada ao Pai.
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